Por: Fernando
Sim, cachorro sonha, e quem já viu o próprio cão mexer as patinhas dormindo provavelmente desconfiava disso. Durante o sono, o cérebro dele passa por uma fase chamada REM, a mesma em que nós sonhamos. Nesse momento, os olhos se mexem sob as pálpebras, a respiração fica irregular e o corpo dá pequenos tremores. Por isso, a maioria dos pesquisadores do sono acredita que os cães sonham de verdade.
Neste guia, explicamos como funciona o sono canino, quais sinais mostram um sonho, se existe pesadelo e o que fazer quando o cão parece agitado. Aliás, um bom descanso começa por uma cama confortável no canto certo da casa, longe de barulho e de corrente de ar. A tabela abaixo resume as respostas mais procuradas.
Os movimentos não são só reflexos: tudo indica que o cachorro sonha mesmo. Exames de eletroencefalograma, que registram a atividade elétrica do cérebro, mostram que os cães passam pelas mesmas fases de sono que as pessoas. Além disso, o padrão das ondas cerebrais na fase REM é muito parecido com o nosso, e é nessa fase que os sonhos humanos acontecem.
Outro ponto pesa a favor dessa ideia. Em estrutura, o cérebro canino se parece com o humano, inclusive nas áreas ligadas à memória e às emoções. Portanto, faz sentido supor que os cachorros sonham com o que viveram durante o dia. Ainda assim, ninguém consegue perguntar a um cão o que ele viu à noite. Ou seja, a ciência trabalha com indícios fortes, e não com o relato direto de quem sonhou.
O sono do cão se divide em duas grandes fases, que se alternam ao longo da noite e também nas sonecas do dia. Primeiro vem o NREM, um sono sem movimento rápido dos olhos. Ele começa leve e vai ficando profundo, com ondas cerebrais lentas, respiração calma e corpo imóvel. Nessa etapa, o organismo descansa e se recupera.
Depois chega o REM, sigla em inglês para movimento rápido dos olhos. Nessa fase, o cérebro volta a trabalhar quase como se o cão estivesse acordado, e é aí que os cães sonham. Em seguida, o ciclo recomeça, e o animal pode passar por várias rodadas de NREM e REM numa mesma noite. Veja as diferenças lado a lado:
Durante o REM, uma região do tronco cerebral chamada ponte manda um sinal que relaxa quase todos os músculos grandes do corpo. Esse bloqueio, conhecido como atonia muscular, impede que o cão saia correndo atrás do que vê no sonho. Nós temos o mesmo mecanismo, e é ele que nos impede de levantar da cama quando sonhamos que estamos fugindo.
No entanto, o bloqueio não é total. Pequenos impulsos escapam e chegam às patas, ao focinho, às orelhas e à cauda. O resultado são aquelas “corridinhas” no ar e os tremores rápidos que tanto divertem os tutores. Em filhotes, esse freio ainda está amadurecendo, então os movimentos costumam ser mais fortes.
O primeiro sinal de que o cachorro sonha aparece nos olhos. Segundo o psicólogo Stanley Coren, da Universidade da Colúmbia Britânica, vale observar o cão de 10 a 20 minutos depois que ele pega no sono. Se os olhos se mexem por baixo das pálpebras, ele entrou no REM. A partir daí, um cachorro sonhando costuma mostrar outros sinais ao mesmo tempo:
Em geral, esses episódios duram de segundos a poucos minutos e somem sozinhos. Logo depois, o corpo volta a relaxar e a respiração fica regular de novo. Por outro lado, um cão que só muda de posição ou se ajeita na cama, sem os outros sinais, provavelmente está apenas no sono leve.
Na maioria das vezes, é normal. Os sons saem baixos e abafados porque a musculatura também fica mais relaxada no REM. Assim, o latido vira um “uf” curto, e o choro parece um gemido fino. Muitos tutores se assustam na primeira vez, mas o cão costuma seguir dormindo tranquilo logo em seguida.
Mesmo assim, vale prestar atenção ao contexto. Se o barulho vem junto com patas correndo e cauda balançando, o sonho parece animado. Já um choro longo, com o corpo encolhido, pode indicar um sonho mais tenso. E a lista de manias curiosas não para por aí: separamos outros comportamentos curiosos dos cães em um guia próprio.
Ninguém sabe com certeza o que os cachorros sonham, mas um experimento ajuda a imaginar. Em 2001, pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos, registraram a atividade cerebral de ratos enquanto eles corriam num labirinto. Mais tarde, durante o REM, o cérebro desses ratos repetiu quase o mesmo padrão. Dessa forma, os cientistas concluíram que os animais revisitavam o percurso enquanto dormiam.
Como o cérebro canino é bem mais complexo que o de um rato, a hipótese mais aceita é que o cão também revive a rotina. Ou seja, o passeio no parque, a bolinha, os cheiros da rua e até o carteiro podem aparecer no sonho. Seguindo essa lógica, raças criadas para o trabalho talvez trabalhem dormindo também: um cão pastor pode sonhar que conduz o rebanho, e um farejador, que segue uma trilha.
É bem provável que sim. A psicóloga Deirdre Barrett, da Escola de Medicina de Harvard, explicou em 2016 que os sonhos costumam girar em torno do que importa para quem sonha. Como os cães são muito apegados aos tutores, o seu rosto, a sua voz e o seu cheiro devem aparecer com frequência. Ainda assim, trata-se de uma hipótese, já que não há como perguntar ao cão o que ele sonhou.
Faz sentido quando pensamos na rotina do cão. Afinal, você está presente na comida, nos passeios, no carinho e até nas broncas. Esse vínculo forte também explica por que o cachorro te segue pela casa o tempo todo. Portanto, quando ele abana a cauda dormindo, não custa imaginar que o sonho é com você.
Sim, o tamanho muda o ritmo: um cachorro sonha com mais ou menos frequência conforme o porte. De acordo com Coren, cães pequenos sonham com mais frequência, com cerca de um sonho a cada 10 minutos, mas cada sonho é curto. Já os cães grandes sonham menos vezes e com intervalos bem maiores, porém os sonhos duram mais. Um Poodle Toy e um Mastim vivem noites bem diferentes.
Ainda não há uma explicação fechada para essa diferença. Uma das hipóteses liga o ritmo do sono ao metabolismo, que costuma ser mais acelerado em animais pequenos. Na prática, o cuidado é o mesmo para um Chihuahua ou um Labrador: deixar o cão dormir em paz, sem acordá-lo à toa.
Filhotes dormem boa parte do dia, e uma fatia maior desse sono acontece no REM. Além disso, eles vivem descobertas o tempo todo: cheiros, sons, pessoas e comandos novos. Muitos especialistas acreditam que o sonho ajuda a organizar esse aprendizado, e os pequenos se mexem bastante quando dormem.
Os cães idosos também passam mais horas dormindo, e o freio que segura os músculos durante o sonho tende a ficar menos eficiente com a idade. Assim, os sonhos deles costumam ficar mais visíveis, com patas e focinho mais agitados. Mesmo assim, se a mudança vier de repente, vale entender quando o cão idoso dorme muito e o que observar no dia a dia.
Tudo indica que o cachorro tem pesadelo, sim, do mesmo jeito que tem sonhos bons. Se o cérebro revive a rotina, os momentos de medo também podem voltar, como um susto com fogos, uma briga com outro cão ou um dia difícil no banho e tosa. Nesses casos, os sinais mudam de tom.
Um sonho tenso costuma vir com choro mais longo, rosnado, respiração ofegante e tremores mais fortes. Às vezes, o cão acorda assustado, olha em volta e demora alguns segundos para se situar. Se isso acontece com frequência, observe também a rotina dele acordado, porque o estresse e os sinais de ansiedade no dia a dia pesam no sono.
O ideal é esperar. Um cão que desperta de repente no meio de um sonho pode demorar a entender onde está e, por reflexo, morder ou arranhar. Isso vale até para o animal mais dócil da casa. Por isso, evite tocar, sacudir ou abraçar o cão enquanto ele treme dormindo.
Se o sonho parecer muito agitado e você quiser intervir, chame o nome dele com voz calma, de uma distância segura. Em seguida, espere que ele abra os olhos e se oriente antes de fazer carinho. Crianças, em especial, precisam aprender essa regra, porque costumam se aproximar sem perceber o risco.
No sonho, os movimentos são soltos, curtos e vêm em pequenas ondas. Além disso, o cão acorda quando ouve o próprio nome e logo volta ao normal, às vezes até abanando a cauda. Na convulsão, o quadro é outro: o corpo pode ficar rígido, os movimentos ficam mais intensos e o animal não responde quando você chama.
Na dúvida, não tente segurar o cão nem coloque a mão perto da boca dele. Em vez disso, afaste os objetos ao redor, filme o episódio com o celular e mostre o vídeo ao veterinário. Esse registro ajuda o profissional a avaliar o caso com muito mais precisão do que uma descrição feita de memória.
Quando o cachorro sonha agitado com frequência, a rotina do dia é o primeiro ponto a revisar. Passeios, brincadeiras e momentos de farejar ajudam a gastar energia e aliviam a tensão acumulada. Da mesma forma, horários fixos para comer e dormir trazem sensação de segurança, e um cão seguro tende a descansar melhor.
O ambiente também conta. Mantenha a cama sempre no mesmo lugar, num canto com pouca luz, e evite acordá-lo sem necessidade. Por fim, se quem anda sonhando com cães é você, nosso guia explica o que cada sonho com cachorro pode significar.
Sim. Todo cão saudável passa pela fase REM sempre que dorme por tempo suficiente, então sonha todos os dias. Como os cães dormem várias vezes ao longo do dia, os sonhos também aparecem nas sonecas, e não só à noite.
Depende do porte. Em cães pequenos, cada sonho é curto e se repete com frequência. Já em cães grandes, os sonhos acontecem menos vezes, porém duram mais. Em geral, cada episódio vai de alguns segundos a poucos minutos.
Uma das explicações mais aceitas é que o sono ajuda o cérebro a organizar o que o cão viveu no dia. Enquanto ele dorme, o cérebro reforça memórias e fixa o aprendizado. Daí um comando treinado antes de uma soneca tender a ficar mais bem guardado.
Sonha, desde que a soneca dure o suficiente para chegar ao REM, o que costuma levar de 10 a 20 minutos. Assim, um cão que cochila depois do passeio pode mexer as patas e choramingar em plena tarde, como faria à noite.
Provavelmente, sim. Como o sonho tende a reviver a rotina, os cães com quem ele brinca no parque ou divide a casa devem aparecer com frequência. Da mesma forma, um encontro tenso com outro cão pode voltar como um sonho agitado.
Fernando é apaixonado por animais desde a infância e transformou esse amor em conteúdo útil para tutores de pets. Com experiência no cuidado e bem-estar de cães e gatos, compartilha dicas sobre alimentação, adestramento, saúde e comportamento animal. Seu objetivo é ajudar os leitores a proporcionarem uma vida mais feliz e saudável para seus companheiros de quatro patas
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