Por: Fernando
O lhasa apso é um cão de porte pequeno, pelagem longa e personalidade marcante, que nasceu no Tibete como guardião de mosteiros. Pesa poucos quilos, mas age como se fosse muito maior. Late para avisar sobre qualquer novidade, desconfia de estranhos e cria um laço forte com a própria família.
Essa mistura de tamanho compacto e atitude de sentinela atrai muita gente que mora em apartamento. Ao mesmo tempo, gera dúvidas bem comuns. Ele é bravo? Dá muito trabalho com a tosa? Qual a diferença para o shih tzu, que é tão parecido? E quanto custa manter um cãozinho com tanto pelo?
Neste guia, analisamos tudo o que você precisa saber antes de levar um cão lhasa apso para casa. Você vai conhecer origem, cores, estilos de tosa, temperamento, cuidados com o filhote, saúde, preço e gastos mensais. No fim, ainda respondemos às perguntas mais frequentes de quem pensa em adotar ou comprar um.
A raça surgiu no Tibete, há muitos séculos, e recebeu o nome da cidade sagrada de Lhasa. Dentro de mosteiros budistas e palácios, ela cumpria uma função clara: vigiar. Enquanto os grandes mastins tibetanos guardavam o lado de fora, o pequeno cão ficava nos ambientes internos e latia ao menor sinal de visita inesperada.
O nome tibetano costuma ser associado à ideia de “leão sentinela”, uma referência à juba farta e ao instinto de alerta. Por tradição, esses cães não eram vendidos. Monges e nobres os davam de presente, muitas vezes a visitantes ilustres, como um sinal de boa sorte e de respeito.
A raça chegou ao Ocidente no início do século XX, levada principalmente por viajantes e diplomatas que passaram pela região. No Brasil, muita gente a conhece sem saber, porque o Floquinho, o cachorro do Cebolinha na Turma da Mônica, se inspira nela.
A forma mais rápida de diferenciar o lhasa apso e shih tzu é olhar o focinho. No lhasa, ele é mais longo e o crânio, mais estreito. O shih tzu, por sua vez, tem cara achatada, olhos grandes e redondos e uma expressão mais doce.
As duas raças são parentes próximas e vieram da mesma região, o que explica a confusão. Mesmo assim, o comportamento muda bastante. O lhasa é mais reservado com quem não conhece, enquanto o shih tzu costuma fazer festa para qualquer visita. A pelagem do primeiro também é mais pesada e áspera ao toque.
Existem ainda filhotes da mistura entre as duas raças, comuns em anúncios sem pedigree. Explicamos como reconhecer esse mestiço nas perguntas frequentes. Para conhecer melhor a outra raça, confira o nosso guia completo do shih tzu.
Não existe uma variedade mini reconhecida. Quando um anúncio oferece um mini lhasa apso, em geral se trata de um cão abaixo do tamanho padrão ou de um mestiço com outra raça pequena. Cães muito miniaturizados podem ter mais problemas de saúde, então desconfie dessa promessa.
O mesmo vale para o lhasa apso pelo curto. A pelagem natural da raça é longa e cresce sem parar. Portanto, o cão de pelo baixinho que aparece nas fotos quase sempre é um lhasa tosado, e não um tipo diferente.
Compacto, um pouco mais comprido do que alto e coberto por uma pelagem dupla e farta, o lhasa tem aparência de pequeno leão. A cauda fica enrolada sobre o dorso, e os olhos escuros se escondem atrás da franja. A seguir, veja as medidas e as cores que a raça pode ter.
O cachorro lhasa apso é pequeno e robusto. Pelo padrão oficial da FCI, os machos medem cerca de 25 cm na altura da cernelha, e as fêmeas ficam um pouco abaixo disso. O padrão não fixa um peso, mas a maioria dos adultos fica entre 5,5 e 8 kg.
Apesar do porte, ele tem ossatura firme e não é tão frágil quanto algumas raças toy. Mesmo assim, merece cuidado com quedas do sofá ou da cama, principalmente na fase de filhote. Manter o peso dentro da faixa ideal protege as articulações e ajuda a prevenir problemas na patela.
A pelagem longa, aliás, faz o cão parecer maior e mais pesado do que realmente é. Por isso, a balança do veterinário é a melhor forma de acompanhar se ele está magro, no ponto ou acima do ideal.
A raça aceita muitas cores: dourado, areia, mel, cinza ou ardósia, fumaça, preto, branco, marrom e particolor. Nenhuma delas muda o temperamento ou a saúde do cão. O que muda é a procura, e algumas tonalidades fazem mais sucesso do que outras.
O lhasa apso preto está entre os mais desejados, porque o tom escuro e brilhante chama atenção onde passa. Já o lhasa apso branco costuma ser confundido com o creme, um tom levemente amarelado. O particolor, por fim, é o cão de duas cores distribuídas em manchas, como branco com preto ou branco com dourado.
Um detalhe pouco conhecido: a cor do filhote costuma clarear ou mudar até a vida adulta. Um filhote escuro pode ficar cinza ou dourado com o tempo, por exemplo. Se a cor for decisiva para você, peça ao criador fotos dos pais e de ninhadas anteriores.
Leal, alerta e independente, o lhasa apso carrega até hoje o instinto de sentinela dos mosteiros. Com a família, é afetuoso e gosta de ficar perto do tutor, mas sem a carência de raças mais grudentas. Ele aprecia carinho na hora que escolhe, e não necessariamente quando você quer.
Essa independência tem um lado teimoso que exige paciência. Ao mesmo tempo, o cãozinho é brincalhão, observador e bastante esperto. Quem entende o jeito dele ganha um companheiro fiel por muitos anos, com quem a convivência fica leve e divertida.
Ele não é bravo, mas é desconfiado e vigilante. Late para avisar quando alguém chega e pode manter distância das visitas no começo. Quando bem socializado, raramente mostra agressividade de verdade.
O problema costuma aparecer em cães que cresceram isolados ou que nunca tiveram limites claros. Nesse caso, o latido vira hábito e a desconfiança pode virar rosnado. Apresentar pessoas novas com calma, petiscos e sem forçar contato ajuda muito. Respeite o tempo dele.
A raça se adapta muito bem a apartamentos. Precisa de pouco espaço, tem energia moderada e se satisfaz com passeios curtos e brincadeiras dentro de casa. Para quem trabalha fora parte do dia, é uma opção prática.
O ponto de atenção é o latido. Como vigia tudo, o cão pode reagir a barulhos do corredor ou do elevador, o que incomoda os vizinhos. Ensinar desde cedo que esses sons são normais evita dor de cabeça. Se ainda estiver em dúvida, compare com outras raças de cachorro pequeno para apartamento.
O caminho mais eficiente é o reforço positivo: petisco, elogio e brincadeira sempre que ele acertar. Sessões curtas, de 5 a 10 minutos, funcionam melhor do que treinos longos. Gritos e punições, por outro lado, só aumentam a teimosia e a desconfiança.
Comece a socialização cedo, assim que o veterinário liberar os passeios. Apresente o filhote a pessoas diferentes, sons da rua, outros cães e ambientes variados, sempre de forma tranquila. Quanto mais experiências boas ele tiver nos primeiros meses, mais equilibrado será na vida adulta.
Tenha paciência com a cabeça dura típica da raça. Ela aprende rápido, mas gosta de decidir se vale a pena obedecer. Constância diária faz toda a diferença.
A pelagem longa e pesada cresce sem parar, então a tosa faz parte da rotina de quem tem um lhasa. Ela facilita a escovação, evita nós e deixa o cão mais confortável. Um lhasa apso tosado com regularidade sofre menos com calor e sujeira. O estilo e a frequência dependem do tempo que você tem para cuidar do pelo e do visual que prefere.
Para a maioria dos tutores, a tosa bebê é a escolha mais prática. Ela deixa o pelo curto e uniforme no corpo todo, o que reduz os nós e encurta o tempo de escovação. A tosa ursinho, em contrapartida, mantém o rosto arredondado e o corpo com pelo médio, para um visual mais fofo.
O pelo longo, típico das exposições, é o mais bonito e o mais trabalhoso. Exige escovação diária e muita disciplina para não embolar. A tosa higiênica, por sua vez, não muda o visual: aparar só barriga, patas e região íntima mantém a limpeza entre uma tosa completa e outra.
No verão, a tosa bebê costuma ser a melhor opção, porque deixa o cão mais fresco sem raspar a pelagem. O pelo curto, mas não zerado, ainda protege a pele do sol.
A rotina de cuidados com o lhasa gira em torno do pelo e dos olhos. A escovação diária, ou a cada dois dias, impede que a pelagem forme nós junto à pele, o que pode causar dor e dermatite. Use uma escova de pinos e um pente de dentes largos, sempre com o pelo levemente umedecido. Comece pelas pontas e suba devagar até a raiz.
Os olhos também pedem atenção todos os dias. A franja pode irritar a córnea, e o acúmulo de secreção mancha o pelo ao redor. Limpe a região com gaze e soro fisiológico e, se quiser, prenda a franja com um elástico macio. No banho, escolha um dos melhores shampoos para cachorro e seque o pelo por completo para evitar fungos.
Na alimentação, prefira uma ração de boa qualidade para cães pequenos, com porções controladas para evitar o ganho de peso. Se quiser variar o cardápio, os sachês indicados para cães pequenos deixam a refeição mais atrativa. Quanto ao exercício, dois passeios curtos por dia bastam. Fuja dos horários quentes, já que o pelo farto dificulta a troca de calor.
O ideal é que o filhote vá para a nova casa a partir dos 60 dias de vida, já desmamado e com as primeiras doses de vacina. Antes disso, ele ainda aprende muito com a mãe e os irmãos. Todo filhote de lhasa apso costuma ser curioso, dorminhoco e bastante dependente nas primeiras semanas. Prepare um cantinho tranquilo, com cama, água e brinquedos seguros.
A vacinação e a vermifugação são as prioridades dessa fase. O veterinário define o calendário exato de acordo com a idade e a saúde do filhote, mas a base costuma ser parecida com esta:
Depois das vacinas, comece a socialização e o treino de xixi no lugar certo. Um tapete higiênico para ensinar o filhote ajuda bastante, principalmente se você premiar cada acerto. Filhotes muito pequenos podem ter hipoglicemia, a queda do açúcar no sangue, então ofereça refeições fracionadas ao longo do dia. Fraqueza, tremores ou sonolência exagerada pedem visita imediata ao veterinário.
O lhasa apso costuma viver de 12 a 15 anos, uma longevidade alta mesmo entre as raças pequenas. Boa alimentação, peso controlado e consultas regulares ajudam o cão a chegar lá com qualidade de vida. Ainda assim, a raça tem predisposição a alguns problemas que todo tutor deve conhecer.
Nenhuma das doenças abaixo é garantida, e muitos cães passam a vida inteira sem desenvolver qualquer uma delas. Conhecer os sinais, porém, permite buscar ajuda cedo. Veja as condições mais associadas à raça:
Se notar xixi em excesso, muita sede, perda de apetite ou emagrecimento, procure o veterinário sem demora. Esses podem ser sinais de problema renal em cachorro, e o diagnóstico precoce faz diferença. Para as demais condições, o melhor caminho é o check-up anual e a orientação profissional, sem tratamentos caseiros.
Com pedigree, o filhote custa cerca de R$ 2.500 a R$ 4.500, e linhagens premiadas podem passar desse valor. Quem pesquisa lhasa apso preço encontra números bem diferentes, que dependem do canil, da região e da cor. Some ainda o enxoval inicial, com cama, comedouro, guia, escova e tapetes.
Anúncios sem pedigree começam em cerca de R$ 500 a R$ 1.500. Já o filhote com registro na CBKC, vindo de canil regularizado e de linhagem premiada, fica no topo da faixa. Cor, sexo e região completam a conta.
Desconfie de preços muito baixos, que podem esconder uma criação sem cuidado com a saúde dos pais. Peça para conhecer a mãe, veja a carteira de vacinação e exija o pedigree. Se o objetivo é dar um lar, a adoção é uma ótima alternativa, porque há lhasas adultos esperando família em ONGs e grupos de proteção.
Depois da compra, manter o cão custa, em média, de R$ 370 a R$ 720 por mês. A conta inclui ração, tosa, prevenção contra parasitas, uma reserva para o veterinário e pequenos mimos. Veja abaixo a divisão aproximada de cada item do orçamento:
São estimativas, que variam bastante de acordo com a cidade e o padrão de cada pet shop. A tosa pesa mais do que em raças de pelo curto, porque o lhasa precisa dela com frequência. Banho e escovação em casa reduzem esse gasto, desde que a secagem seja completa.
Vale a pena para quem busca um cão pequeno, leal e cheio de personalidade, e que aceita dedicar tempo ao pelo. A raça vive bem em apartamento, solta pouco pelo e costuma acompanhar a família por mais de uma década. É uma ótima companhia para adultos, casais e idosos que gostam de rotina.
Em contrapartida, ela exige escovação frequente, tosa paga e paciência com a teimosia e os latidos de alerta. Também não é a melhor escolha para casas com crianças muito pequenas e agitadas. Se o perfil combina com você, já pode começar a pensar no nome, e nossa lista de nomes para cachorra pequena traz boas ideias.
Não. O lhasa solta pouco pelo, porque os fios mortos ficam presos na própria pelagem em vez de cair pela casa. O desafio é outro: esses fios formam nós se você não escovar com frequência. Por isso, a escovação deve ser diária ou a cada dois dias.
Sim, com crianças maiores, que entendem limites e respeitam o espaço do cão. Com crianças pequenas e agitadas, ele pode se irritar com puxões no pelo ou abraços apertados. A supervisão de um adulto e a socialização desde filhote fazem toda a diferença.
Pode, por algumas horas, desde que tenha água, brinquedos e uma rotina previsível. Por ser independente, lida melhor com a solidão do que raças grudentas. Latidos excessivos ou destruição podem indicar ansiedade de separação e pedem avaliação.
Observe o focinho e os olhos. O mestiço costuma ter focinho intermediário, nem longo nem achatado, e olhos maiores que os do lhasa puro. Na dúvida, só o pedigree dos pais garante a raça, porque a aparência do filhote ainda muda até a vida adulta.
Não é recomendado. Raspar expõe a pele ao sol, a feridas e a irritações, e o pelo pode crescer irregular depois. Prefira uma tosa curta, como a bebê, sem chegar à pele. Em caso de nós muito fechados, consulte o veterinário sobre a melhor solução.
Esse hábito se chama coprofagia e pode ter causas como tédio, ansiedade, costume da fase de filhote ou alguma deficiência nutricional. Recolha as fezes logo, ofereça mais estímulos e leve o cão ao veterinário para descartar problemas de saúde.
O macho costuma ser um pouco maior e mais territorial, com tendência a marcar território com xixi. A fêmea tende a ser mais delicada no porte e, às vezes, mais independente. Porém, a personalidade depende mais da criação e da socialização do que do sexo.
Fernando é apaixonado por animais desde a infância e transformou esse amor em conteúdo útil para tutores de pets. Com experiência no cuidado e bem-estar de cães e gatos, compartilha dicas sobre alimentação, adestramento, saúde e comportamento animal. Seu objetivo é ajudar os leitores a proporcionarem uma vida mais feliz e saudável para seus companheiros de quatro patas
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