Por: Fernando
O lulu da pomerânia é um cão de porte toy, pelagem volumosa e expressão alegre, que conquistou o Brasil nas últimas décadas. Na verdade, ele é o spitz alemão anão, a menor variedade dessa família de cães. Pesa poucos quilos, mas tem a presença de um cão bem maior. Late para avisar, segue o tutor pela casa e encara qualquer novidade com curiosidade.
Essa combinação de tamanho mínimo e personalidade forte desperta muitas perguntas. Afinal, lulu e spitz são a mesma coisa, e o que significam os rostos de raposa, urso e boneca? Por que alguns cães perdem o pelo depois da tosa? E, claro, quanto custa um filhote?
Neste guia, analisamos tudo o que você precisa saber antes de levar um lulu da pomerânia para casa. Você vai entender os tamanhos, as cores, os cuidados com a pelagem, a saúde, o preço do filhote e o custo mensal. No fim, respondemos às dúvidas mais frequentes de quem pensa em ter um cãozinho desses.
O lulu da pomerânia descende dos antigos cães do tipo spitz, muito comuns no norte da Europa. Esses animais tinham pelagem farta, orelhas eretas e cauda enrolada sobre o dorso. O nome vem da Pomerânia, região às margens do mar Báltico que hoje fica entre a Alemanha e a Polônia. Ali, eles eram bem maiores e ajudavam a vigiar casas e rebanhos.
A miniaturização ganhou força no século XIX, quando a rainha Vitória, da Inglaterra, se encantou pela raça e passou a criar exemplares menores. O gosto da realeza virou moda, e os criadores seguiram selecionando cães cada vez mais compactos. Hoje, o spitz alemão anão aparece entre as raças de cachorro mais queridas pelos brasileiros, sobretudo nas cidades grandes.
Sim, são a mesma raça. O padrão internacional da FCI reúne todas as variedades sob o nome Spitz Alemão, separadas apenas pelo tamanho. Lulu da pomerânia é o nome popular da variedade anã, a menor de todas e a mais comum no Brasil.
Então, quando alguém anuncia um spitz, convém perguntar de qual variedade se trata. Um filhote de spitz alemão pequeno pode ser confundido com um anão nos primeiros meses, mas fica visivelmente maior na fase adulta. Veja as alturas aproximadas de cada tipo:
Na prática, quase todo cão vendido como lulu no país pertence à variedade anã. Os tamanhos médio, grande e lobo raramente aparecem por aqui e costumam vir de criadores especializados.
Os três rostos descrevem o formato do focinho e da cabeça. O tipo raposa tem focinho mais longo e fino e é o que mais se aproxima do padrão oficial. Já o tipo urso, ou ursinho, tem focinho curto e rosto arredondado, e virou o mais procurado. O tipo boneca, também chamado de baby doll, une focinho curto, olhos grandes e expressão infantil.
Esses nomes não são variedades oficiais, e sim termos criados pelo mercado para descrever e vender filhotes. Além disso, um focinho muito curto pode trazer problemas respiratórios e dentários, porque os dentes ficam apertados na boca. Assim, escolha o cão pela saúde dos pais, e não só pelo formato do rosto.
O spitz alemão anão é um cão compacto, de corpo quadrado, orelhas pequenas e pontudas e cauda felpuda enrolada sobre as costas. A marca registrada é a pelagem dupla, que forma uma juba ao redor do pescoço e deixa o cão com jeito de bola de pelo. A seguir, veja quanto o lulu cresce e quais cores ele pode ter.
O lulu da pomerânia adulto mede cerca de 18 a 22 cm de altura e pesa, em geral, de 1,5 a 3,5 kg. O crescimento é rápido nos primeiros meses e costuma desacelerar entre 6 e 8 meses de idade. Por volta de 1 ano, o cão atinge o tamanho final, embora a pelagem continue encorpando depois disso.
O peso deve ser proporcional à altura e à estrutura óssea de cada animal. Portanto, desconfie de anúncios de mini spitz ou de “micro” que garantem um adulto com menos de 1 kg. Cães abaixo do padrão tendem a ser mais frágeis e podem ter mais problemas de saúde ao longo da vida.
A cor mais comum no lulu da pomerânia é o laranja, em tons que vão do caramelo claro ao ruivo intenso. Também existem cães creme, branco, preto, marrom (ou chocolate), sable, cinza-lobo e particolor. O sable tem os fios com pontas escuras, enquanto o particolor combina manchas coloridas sobre fundo branco.
O lulu preto e o lulu branco estão entre os mais procurados, justamente por serem menos frequentes que o laranja. Por outro lado, cores raras costumam encarecer o filhote. Um criador sério explica a genética da ninhada e não promete cores que não pode garantir.
Saiba também que o tom do filhote pode mudar até a pelagem adulta se firmar. Muitos cães nascem mais escuros ou mais claros e só mostram a cor definitiva depois de 1 ano. Desse modo, a foto de um filhote de poucas semanas não garante a aparência do adulto.
O lulu da pomerânia é alerta, curioso e muito apegado à família. Ele percebe qualquer barulho diferente e late para avisar, o que o torna um ótimo vigia de apartamento. Ao mesmo tempo, adora colo, segue o tutor de cômodo em cômodo e gosta de participar da rotina da casa.
Apesar do tamanho, é um cão corajoso, às vezes até demais. Ele pode enfrentar cachorros muito maiores sem medir o risco, então o tutor precisa ficar atento nos passeios. Além disso, costuma ser brincalhão e inteligente, aprende truques com facilidade e se diverte com brinquedos interativos.
Quando é muito mimado, porém, o lulu pode virar um pequeno “mandão”. Ele passa a exigir atenção com latidos, protege o colo do dono e reage mal a regras. Limites claros desde cedo evitam esse comportamento e deixam a convivência bem mais leve.
A melhor forma de educar o lulu da pomerânia é com reforço positivo: elogios, petiscos e brincadeiras sempre que ele acerta. Sessões curtas, de 5 a 10 minutos, funcionam melhor do que treinos longos, porque o cão perde o interesse rápido. Repita os comandos básicos todos os dias, sempre com a mesma palavra.
Um dos ensinamentos mais úteis é parar de latir sob comando. Recompense o silêncio logo após um latido e associe isso a uma palavra, como “chega”. Apresente o filhote a pessoas, sons e outros animais aos poucos. Com cães grandes, supervisione sempre, porque uma brincadeira mais bruta pode machucar um corpo tão pequeno.
O spitz alemão tem pelagem dupla: um subpelo macio e denso por baixo e uma camada externa de fios longos e mais ásperos. Esse conjunto protege do frio e do calor, mas solta muito pelo e forma nós quando fica sem cuidado. Por isso, a escovação deve acontecer de 3 a 4 vezes por semana, e todos os dias durante a troca de pelagem.
O banho pode ser feito a cada 15 a 30 dias, com um shampoo próprio para cães e secagem completa até a raiz. Pelo úmido e abafado favorece fungos e irritações na pele. Uma escova rasqueadeira e um pente de dentes largos resolvem a maior parte da rotina em casa.
Pode, desde que seja uma tosa leve. Aparos nas patas, ao redor das orelhas e na região íntima, a chamada tosa higiênica, ajudam na limpeza e deixam o cão mais confortável. Uma boa tosa spitz apenas arredonda o contorno e mantém o volume natural da pelagem.
Raspar ou fazer uma tosa muito rente, por outro lado, não é indicado. Sem a camada de proteção, a pele fica exposta ao sol e a machucados, e o cão perde parte da capacidade de regular a temperatura. Em alguns casos, o pelo também não cresce de volta como antes e deixa falhas. Converse com o tosador e peça para preservar o subpelo.
Quando um lulu da pomerânia perde pelo de forma simétrica e sem coceira, a causa costuma ser a alopecia X. Essa condição é comum em raças de pelagem dupla e deixa a pele escurecida, com falhas no tronco, nas coxas e na cauda. O cão continua ativo e com apetite normal, e muitos tutores demoram a perceber o problema.
A falha também pode surgir depois de uma tosa rente, quando o pelo simplesmente não volta a crescer. A causa da alopecia X ainda não é totalmente esclarecida, e outras doenças de pele ou hormonais causam sinais parecidos. Dessa forma, o caminho certo é procurar um dermatologista veterinário, que vai investigar e indicar a conduta adequada.
Por ser tão pequeno, o lulu sente rápido qualquer descuido na rotina, seja uma refeição pulada, o acúmulo de tártaro ou a falta de atividade. Com alguns hábitos simples de alimentação, higiene bucal e exercício, ele se mantém saudável e com o peso certo por muitos anos.
O lulu da pomerânia precisa de uma ração para porte mini, com grãos pequenos que caibam na boca e facilitem a mastigação. Divida a quantidade diária em duas ou três refeições, seguindo a orientação da embalagem e do veterinário. Para escolher bem, veja nosso guia sobre a ração certa para essa raça.
Cuidado com o excesso de petiscos e com restos de comida da mesa. Em um corpo de 2 ou 3 kg, poucos gramas a mais já representam um ganho de peso importante. A obesidade sobrecarrega as articulações e a traqueia, dois pontos sensíveis da raça.
Raças toy acumulam tártaro com facilidade, porque os dentes ficam muito próximos uns dos outros. Por isso, escove os dentes do lulu várias vezes por semana, com escova e pasta próprias para cães. Comece ainda filhote, para que ele se acostume com o toque na boca.
Quanto ao exercício, dois passeios curtos por dia, de 15 a 20 minutos, somados a brincadeiras em casa costumam bastar. Use sempre peitoral em vez de coleira no pescoço. Essa troca simples diminui a pressão sobre a traqueia, que é frágil em cães pequenos.
Um lulu da pomerânia filhote pode ir para a nova casa a partir de 60 dias de vida. Nessa fase, ele é muito frágil, e uma queda do sofá ou do colo pode causar fraturas. Por causa do tamanho mínimo, o filhote também corre risco de hipoglicemia, a queda do açúcar no sangue. Refeições fracionadas ajudam a evitar o problema, e fraqueza, tremores ou sonolência excessiva pedem ida imediata ao veterinário.
As vacinas e o vermífugo devem seguir o calendário definido pelo veterinário, e os passeios na rua só começam com a liberação dele. Enquanto isso, aproveite para socializar o filhote em casa, com visitas, sons diferentes e manuseio gentil. Ensine o xixi no lugar certo desde os primeiros dias, usando um tapete higiênico de boa absorção sempre no mesmo canto.
Entre 4 e 8 meses, chega a famosa fase do “macaquinho”. A pelagem de filhote cai, o cão fica com aspecto ralo e desproporcional, e muitos tutores se assustam. Trata-se de uma etapa normal: a pelagem adulta nasce aos poucos e, em alguns meses, o lulu volta a ficar volumoso.
O lulu costuma viver de 12 a 16 anos, uma longevidade alta mesmo entre as raças pequenas. Ainda assim, algumas condições aparecem com mais frequência no spitz alemão anão, por causa do porte reduzido e da pelagem densa. Conhecer esses pontos ajuda o tutor a perceber sinais cedo e a buscar o veterinário no momento certo. Os principais são estes:
Nem todo lulu da pomerânia vai desenvolver essas condições, e um criador que acompanha a saúde dos pais reduz bastante o risco. Consultas de rotina, ao menos uma vez por ano, permitem identificar problemas no início, quando o tratamento costuma ser mais simples.
Alguns sintomas merecem atenção imediata. Uma tosse que lembra o grasnar de um ganso pode indicar problema na traqueia, sobretudo se piorar com agitação ou com puxões na guia. Mancar, levantar uma pata traseira ou dar pulinhos ao andar são sinais típicos de alteração na patela.
Mau hálito forte, gengiva vermelha ou sangramento ao mastigar apontam para doença periodontal. No filhote, fraqueza, tremores ou desmaios exigem socorro rápido. Em qualquer um desses casos, não espere passar sozinho e leve o cão ao veterinário.
Um filhote de lulu da pomerânia custa, em média, de R$ 2.000 a R$ 8.000 ou mais, conforme a origem. Anúncios avulsos, em geral sem pedigree, ficam na parte baixa da faixa, enquanto canis registrados e com linhagem acompanhada cobram bem mais. Na prática, o preço do spitz alemão anão está entre os mais altos das raças pequenas no Brasil.
Os valores da tabela são aproximados e mudam conforme a região, a época do ano e a procura por determinadas cores. Antes de fechar negócio, peça para conhecer os pais, o local de criação e os documentos do filhote, como a carteira de vacinação e o pedigree.
O valor depende de vários fatores ao mesmo tempo: tamanho, cor, tipo de rosto, pedigree CBKC, qualidade da linhagem e região do país. Cores raras e o rosto de urso, por exemplo, costumam elevar o preço. Filhotes de pais premiados em exposições também saem mais caros.
Atenção aos anúncios de “micro” ou “teacup” com valores altíssimos. Na maioria das vezes, são cães abaixo do padrão e com mais risco de saúde, como hipoglicemia e fraturas. Um preço muito abaixo da média também é sinal de alerta, porque pode indicar criação irregular. Outra alternativa é adotar um lulu adulto por meio de ONGs e protetores independentes.
Depois da compra, o lulu gera gastos fixos todos os meses, e a pelagem é um dos itens que mais pesam no orçamento. Somando ração, higiene, prevenção e uma reserva para o veterinário, a conta costuma ficar entre R$ 330 e R$ 650 por mês.
Esses números são estimativas e variam bastante conforme a região, a marca da ração e a frequência do banho em pet shop. Quem dá banho e escova em casa economiza, mas convém manter a reserva para consultas, exames e emergências ao longo do ano.
Vale a pena para quem busca um companheiro pequeno, carinhoso e cheio de personalidade, e tem tempo para cuidar dele. O lulu da pomerânia combina com tutores presentes, que passam boa parte do dia em casa e gostam de interagir com o cão. Ele se adapta bem a apartamento, desde que tenha passeios diários e brincadeiras.
Do lado positivo, a raça vive muito, é inteligente, aprende rápido e cabe em qualquer espaço. Por outro lado, late bastante, solta muito pelo e exige escovação frequente, além de cuidados extras com a fragilidade do corpo. O preço de compra e o custo mensal também são altos para um cão tão pequeno.
Se você tolera latidos, gosta de escovar o pelo e pode supervisionar crianças pequenas, o lulu tende a ser uma ótima escolha. Caso contrário, talvez outra raça de manutenção mais simples se encaixe melhor na sua rotina.
Sim, a raça é bastante vocal e late para avisar sobre barulhos, visitas e movimentos estranhos. O adestramento com reforço positivo ajuda a controlar o hábito, principalmente com o comando de silêncio ensinado desde filhote. Tédio e solidão costumam aumentar os latidos.
Sim, desde que haja supervisão. O lulu é carinhoso e brincalhão, mas tem ossos finos e se machuca com facilidade. Crianças pequenas podem derrubá-lo, apertá-lo ou puxar o pelo, então convém ensinar a elas como segurar e respeitar o cão.
Não. O padrão da raça não reconhece as categorias micro ou teacup, que são apenas termos de venda. A menor variedade oficial é o anão, com cerca de 18 a 22 cm de altura, como mostra a tabela de tamanhos acima.
Pode, e se adapta muito bem. O lulu precisa de pouco espaço, mas exige passeios diários, brincadeiras e treino para controlar os latidos. Conheça também outras raças pequenas que se adaptam a apartamento.
O Boo foi um lulu que ficou famoso nas redes sociais por volta de 2010, graças a uma tosa que o deixava com cara de ursinho. Ele virou símbolo do rosto de urso e morreu em 2019. A tosa curta dele, porém, não é a mais indicada para a raça.
Os dois são ótimos companheiros. O macho tende a marcar território com xixi, enquanto a fêmea passa por cios se não for castrada. Depois de decidir, veja ideias de nomes para cachorra pequena e nomes para cachorro macho pequeno.
Fernando é apaixonado por animais desde a infância e transformou esse amor em conteúdo útil para tutores de pets. Com experiência no cuidado e bem-estar de cães e gatos, compartilha dicas sobre alimentação, adestramento, saúde e comportamento animal. Seu objetivo é ajudar os leitores a proporcionarem uma vida mais feliz e saudável para seus companheiros de quatro patas
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