Por: Fernando
O cão maltês é uma das raças de companhia mais antigas que se conhece, famosa pelo pelo branco, longo e sedoso que chega quase ao chão. Pesa de 3 a 4 kg e cabe no colo com facilidade. Quem convive com um cachorro maltês, porém, sabe que o tamanho engana: ele é atento, carinhoso e adora participar de tudo o que acontece em casa.
Essa combinação de beleza e afeto explica por que a raça aparece em tantos apartamentos brasileiros. Ao mesmo tempo, ela gera muitas dúvidas. Existe versão mini? Um filhote preto pode ser de raça pura? Como tirar aquela mancha marrom embaixo dos olhos? E quanto custa manter um cãozinho com tanta pelagem?
Neste guia, analisamos tudo o que você precisa saber antes de levar um desses para casa. Você vai entender a origem, o padrão de tamanho e cor, o temperamento, os tipos de tosa, os cuidados com o filhote, a saúde, o preço e os gastos mensais. No fim, respondemos às perguntas mais comuns de quem pensa em adotar ou comprar um.
O Bichon Maltês é um cão de companhia de porte pequeno, originário do Mediterrâneo central, região em que a ilha de Malta servia de porto para navegantes e comerciantes. Obras de arte e registros antigos já mostram cãezinhos brancos parecidos com ele há muitos séculos. Assim, ele aparece com frequência entre as raças de companhia mais antigas da Europa.
Ao longo da história, a raça frequentou a corte de nobres e damas da aristocracia, que levavam o cãozinho no colo e até nas mangas largas dos vestidos. Ele nunca teve função de caça ou de guarda. Hoje, a FCI o coloca no Grupo 9, o dos cães de companhia, o que resume bem o seu propósito: ficar perto das pessoas.
A forma mais rápida de diferenciar as duas raças é olhar o focinho e a cor. O shih tzu tem focinho curto e achatado, enquanto o bichon tem focinho de comprimento médio e trufa bem preta. Além disso, o shih tzu aparece em muitas cores, e o padrão do cão de Malta aceita apenas o branco.
Outra pista está no corpo. O cão branco é mais leve e delicado, e o shih tzu tem estrutura mais robusta, com pelagem dupla. No dia a dia, os dois são afetuosos e se adaptam bem a espaços pequenos. Se quiser comparar com calma, confira o guia do shih tzu.
A raça tem corpo compacto, um pouco mais longo do que alto, cabeça proporcional e olhos escuros e expressivos. A cauda fica curvada sobre o dorso, coberta de pelo. Mas o traço mais marcante é a pelagem branca, lisa e sem subpelo, que cresce sem parar ao longo da vida.
Pelo padrão oficial, o cachorro maltês macho mede de 21 a 25 cm na altura da cernelha, e a fêmea fica entre 20 e 23 cm. O peso ideal vai de 3 a 4 kg nos dois sexos. É, portanto, um dos menores cães de companhia que existem.
Na prática, alguns adultos saudáveis passam um pouco desse peso, sobretudo quando têm ossatura maior. O importante é manter o corpo em boa forma, sem costelas aparentes nem acúmulo de gordura. Na dúvida, o veterinário avalia o escore corporal na consulta de rotina.
Não. O padrão da raça descreve um único tamanho, e não existe maltês mini, micro ou anão reconhecido por nenhuma entidade cinófila. Termos assim são apelidos de venda, usados para valorizar filhotes menores do que a média.
O risco está na busca forçada por cães cada vez menores. Animais muito abaixo de 3 kg podem ter ossos frágeis, mais problemas dentários e quedas perigosas de açúcar no sangue. Por isso, desconfie de anúncios que prometem um adulto de 1 kg e cobram mais caro por essa promessa.
Não existe maltês preto, marrom ou preto e branco de raça pura. O padrão aceita só o branco e tolera, no máximo, um tom marfim bem claro. Logo, qualquer filhote com manchas escuras ou pelagem colorida indica mistura com outra raça, como poodle, shih tzu ou lhasa apso.
Às vezes, o filhote nasce com um leve tom creme nas orelhas, que tende a clarear com o tempo. Isso é bem diferente de uma pelagem marrom. Já a mancha avermelhada perto dos olhos e da boca vem da lágrima e da saliva, não da genética. Na dúvida, peça o pedigree dos pais antes de fechar negócio.
O maltês é afetuoso, apegado e alerta. Gosta de seguir o tutor pela casa, deitar no colo e participar das atividades da família. Apesar do jeito delicado, tem personalidade forte e costuma se mostrar corajoso diante de cães bem maiores.
Esse apego tem um lado que pede atenção. Como cria laços intensos, o cãozinho pode sofrer quando fica muito tempo sozinho. Ele também late para avisar sobre visitas e barulhos estranhos. Com estímulos, rotina e socialização desde cedo, esses comportamentos ficam bem mais fáceis de controlar.
Viver com esse cão em apartamento costuma ser tranquilo, porque ele gasta pouca energia e se exercita bem em espaços reduzidos. Alguns passeios curtos por dia e brincadeiras dentro de casa bastam para mantê-lo ativo e equilibrado.
O ponto de atenção é o latido de alerta, que pode incomodar os vizinhos. Ensine desde filhote que o som do elevador e do corredor é normal, sempre com recompensas. Proteja também sofás altos e escadas, porque um pulo errado pode machucar as patas. Se ainda estiver escolhendo, compare com outras raças pequenas para apartamento.
O bichon aprende rápido e responde muito bem ao reforço positivo, com petiscos, carinho e elogios. Sessões curtas, de cinco a dez minutos, funcionam melhor do que treinos longos. Comece pelos comandos básicos, como sentar, ficar e vir quando chamado.
A socialização deve começar assim que o veterinário liberar o contato com outros animais. Apresente pessoas, sons, outros cães e ambientes diferentes de forma gradual. Desse modo, o filhote cresce mais confiante e menos propenso a latir por medo.
Um erro comum é tratar o cão pequeno como bebê e permitir tudo. Esse hábito alimenta a chamada síndrome do cão pequeno, com latidos, rosnados e manha. Seja carinhoso, mas mantenha regras claras. Nunca use gritos ou castigos, pois eles aumentam a ansiedade.
A pelagem do maltês é única e sem subpelo, por isso solta pouco pelo pela casa. Em compensação, os fios crescem sem parar e embaraçam com facilidade. Quem mantém o pelo longo precisa escovar todos os dias. Com tosa curta, duas ou três vezes por semana costumam bastar.
A melhor tosa depende do tempo que você tem para escovar. A tosa bebê deixa o pelo curto e uniforme no corpo todo, o que facilita muito a rotina. A ursinho mantém o rosto arredondado e fofo, enquanto o pelo longo é o visual clássico de exposição.
Em qualquer estilo, faça a tosa higiênica com frequência. A tosa no zero não é indicada, porque expõe a pele clara ao sol e a irritações. Prefira um profissional acostumado com raças de pelo longo e leve o cão a cada 30 a 45 dias.
A mancha marrom-avermelhada embaixo dos olhos, chamada de lágrima ácida, surge quando o cão lacrimeja demais, quadro que os veterinários chamam de epífora. Pigmentos da lágrima mudam de cor em contato com o ar e marcam o pelo. Daí vem o contraste tão evidente nessa raça.
As causas mais comuns são anatômicas, como cílios ou pelos que tocam o olho, alérgicas ou ligadas à obstrução do canal lacrimal. Ou seja, a mancha é um sinal, e não o problema em si. Sem descobrir a origem, ela tende a voltar.
No dia a dia, limpe a região com gaze e soro fisiológico, seque bem e mantenha os pelos do rosto aparados. Evite produtos caseiros ou clareadores por conta própria. Se o lacrimejamento for intenso, o veterinário pode investigar a causa e indicar o tratamento adequado.
Os cuidados diários com o maltês giram em torno de três pontos: dentes, alimentação e atividade física. A boca pequena acumula placa com facilidade, e a doença periodontal está entre os problemas mais comuns da raça. Por isso, inclua a escovação dos dentes na rotina, de preferência todos os dias, com escova e pasta próprias para cães.
No banho, use produtos específicos para cães e enxágue bem, já que resíduos irritam a pele sensível. Antes de escolher, vale conferir os shampoos que analisamos para cães. Depois, seque o pelo por completo com secador em temperatura morna, pois a umidade favorece fungos e nós.
Na alimentação, prefira ração de boa qualidade para raças pequenas, com grãos menores e porções controladas. Para variar o cardápio, os sachês para cães de porte pequeno ajudam, desde que entrem na conta das calorias do dia. Quanto ao exercício, dois passeios curtos e brincadeiras em casa são suficientes. Evite os horários mais quentes.
O filhote costuma chegar à nova casa por volta dos 60 dias de vida, já desmamado e com a primeira dose de vacina. Nessa fase, ele é muito pequeno e frágil, então evite deixá-lo pular de sofás ou ficar perto de portas. Nas primeiras semanas, ele dorme bastante e estranha o ambiente, o que é normal.
A hipoglicemia é o principal cuidado dessa fase. Como o organismo do filhote de maltês tem pouca reserva de energia, longos períodos sem comer podem derrubar o açúcar no sangue. Ofereça várias refeições pequenas ao longo do dia, conforme a orientação do veterinário. Fraqueza, tremores ou sonolência exagerada pedem atendimento imediato.
Defina o calendário de vacinas e vermífugos logo na primeira consulta. Enquanto isso, comece o treino de xixi e cocô no lugar certo com um tapete higiênico para o filhote, premiando cada acerto. Tenha paciência, já que cães pequenos levam algumas semanas para pegar o hábito.
O maltês vive, em média, de 12 a 15 anos, e muitos passam disso com boa qualidade de vida. É uma raça longeva, mas algumas condições aparecem com mais frequência. Conhecer esses problemas ajuda a perceber os sinais cedo e a buscar ajuda no momento certo.
Para reduzir riscos, prefira peitoral em vez de coleira de pescoço, mantenha o peso sob controle e não descuide da escovação dos dentes. Escadas e pulos de lugares altos também merecem atenção, porque sobrecarregam os joelhos do cãozinho ao longo dos anos.
Não trate nenhuma dessas condições em casa. Ao notar tosse persistente, mancar, perda de apetite ou alterações de comportamento, procure o veterinário. O check-up anual, que pode passar a ser semestral na fase idosa, permite flagrar problemas antes que eles se agravem.
Um filhote de maltês custa, em média, entre R$ 800 e R$ 3.000 nos anúncios. Filhotes com pedigree e criação responsável costumam ficar no topo dessa faixa ou acima, e os de linhagem campeã custam ainda mais. Além da compra, considere os gastos fixos com alimentação, banho, tosa e veterinário, que pesam bastante no orçamento.
O preço varia principalmente por causa da origem do filhote. Um criador sério arca com exames dos pais, vacinas, vermífugos, pedigree e cuidados com a mãe, e esses custos entram no valor final. A linhagem dos pais e a região do país também influenciam.
Os anúncios muito baratos, por outro lado, merecem cautela. Muitas vezes, o filhote é mestiço, saiu da mãe cedo demais ou não tem acompanhamento veterinário. Antes de fechar negócio, peça para conhecer os pais, confira a carteira de vacinação e desconfie de promessas como versão mini ou cores raras.
O custo mensal para manter esse cão fica, em média, entre R$ 400 e R$ 900, dependendo da cidade e do padrão de cuidados. O banho e a tosa costumam ser o item mais pesado, porque a pelagem pede manutenção frequente.
Os valores mudam bastante de uma região para outra, então use a tabela apenas como referência. Uma boa forma de economizar é aprender a escovar o pelo em casa e espaçar as idas ao pet shop. Mesmo assim, mantenha uma reserva para emergências, já que consultas e exames fora da rotina podem pesar.
Vale a pena se você procura um companheiro carinhoso, pequeno e fácil de levar no colo. O maltês se adapta bem a apartamentos, solta pouco pelo e convive bem com idosos e famílias tranquilas. Além disso, vive muitos anos, o que garante uma longa parceria.
Em contrapartida, a raça exige escovação frequente, tosa paga, limpeza diária dos olhos e cuidado redobrado com os dentes. Ela também não gosta de ficar sozinha por muitas horas e pode latir bastante sem treino. Em casas com crianças muito pequenas, a fragilidade do corpo pede supervisão constante.
Se o perfil combina com a sua rotina, o próximo passo é preparar a casa e escolher um nome. Nossa lista de nomes para cachorra pequena traz boas ideias para quem vai receber uma fêmea. Seja qual for a escolha, prefira uma origem responsável e acompanhamento veterinário desde o primeiro dia.
Não. A raça tem pelagem única, sem subpelo, e solta pouquíssimos fios pela casa. Ela costuma agradar quem não gosta de pelo no sofá. O desafio é outro: os fios crescem sem parar e embaraçam, então a escovação precisa ser frequente.
Late com moderação, quase sempre para avisar sobre visitas, barulhos ou novidades no ambiente. Sem treino, porém, o hábito pode virar excesso. Socialização desde filhote, passeios diários e recompensas para o silêncio ajudam a manter os latidos sob controle.
O maltipoo é a mistura entre o bichon branco e o poodle, e não uma raça reconhecida. Como resultado, tamanho, cor e tipo de pelo variam bastante entre os filhotes. Para conhecer o outro lado dessa mistura, veja o nosso guia do poodle toy.
Para idosos, é uma ótima escolha, porque é leve, carinhosa e precisa de pouco exercício. Com crianças, funciona melhor quando elas já são maiores e sabem ser delicadas. O corpo pequeno se machuca com facilidade em quedas e abraços apertados.
Pode, por poucas horas, com água, brinquedos e rotina previsível. Por ser muito apegado ao tutor, porém, o cão tende a sofrer com longos períodos sozinho. Latidos sem parar ou destruição podem indicar ansiedade de separação e pedem avaliação veterinária.
O macho costuma ser um pouco maior e pode marcar território com xixi, sobretudo se não for castrado. A fêmea tende a ser mais delicada no porte e entra no cio cerca de duas vezes por ano. No temperamento, a criação pesa mais do que o sexo.
Fernando é apaixonado por animais desde a infância e transformou esse amor em conteúdo útil para tutores de pets. Com experiência no cuidado e bem-estar de cães e gatos, compartilha dicas sobre alimentação, adestramento, saúde e comportamento animal. Seu objetivo é ajudar os leitores a proporcionarem uma vida mais feliz e saudável para seus companheiros de quatro patas
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